Quando entramos em um processo de separação conjugal, existem várias etapas a serem vividas.
Há o luto. Há o momento de aceitar que a separação realmente aconteceu. Há a dor, a necessidade de elaborar as lembranças, ressignificar as vivências, pensar no recomeço, atravessar a raiva e, muitas vezes, o rancor.
Mas existe uma experiência que parece competir com tudo isso e sobre a qual quase ninguém fala. E, quando fala, dificilmente entra em detalhes. Talvez porque realmente doa.
Fui casada por 18 anos. Sou mãe de cinco filhos, quatro biológicos e um por adoção.
Durante todos esses anos, eu nunca me separei dos meus filhos. Em uma viagem, em um compromisso ou em uma eventual ausência, eu sempre voltava para casa. Eles sempre estavam lá.
Hoje, estou vivendo uma nova etapa. Uma realidade que passa a fazer parte da minha história e também da história deles.
Pela primeira vez, vou passar as férias sem os meus filhos. Eles estão viajando com o pai. Isso nunca havia acontecido.
As férias sempre foram um tempo nosso. Um tempo de convivência, de descanso, de criar memórias. Eu amo esse período do ano.
Mas agora a realidade é diferente.
Eu moro em Campinas, e eles estão passando as férias com o pai em Belo Horizonte.
Eles estão bem, dentro do possível, vivendo também esse novo formato de família. Tudo foi conversado, alinhado, respeitado e preparado. Falamos sobre a saudade, sobre a vontade de nos vermos, de ligarmos um para o outro. Tudo isso faz parte da construção dessa nova realidade.
E eu estou aqui, 6 de julho de 2026 neste momento, dentro de um ônibus, com os olhos cheios de lágrimas retornando para Campinas, vivendo uma dor que eu preciso permitir sentir.
Porque algumas etapas da separação não podem ser puladas.
Elas precisam ser atravessadas.
E talvez essa seja uma das mais difíceis para uma mãe.