“Cinara, eu quero adotar. Por onde eu começo?”
É a pergunta que mais chega até mim. Vem por mensagem, vem no fim das palestras, vem na sala de atendimento. E quase sempre vem com um pedido embutido: me dá o mapa, me diz a ordem das coisas, me fala quanto tempo demora.
O mapa existe. Ele tem etapas, tem documentos, tem prazos e tem uma porta de entrada bem definida. Mas antes de falar dele, preciso te contar uma coisa que aprendi acompanhando famílias adotivas: a adoção não começa no fórum. Ela começa dentro de quem decide adotar.
O caminho tem duas estradas, e elas andam juntas
A primeira é a estrada jurídica. Essa tem forma, tem regra e tem um lugar certo para bater na porta: a Vara da Infância e Juventude da sua comarca. A partir dali existe um roteiro a cumprir, que passa por habilitação, preparação, avaliação, cadastro, espera, aproximação, convivência e sentença. Cada uma dessas palavras carrega um mundo dentro.
A segunda é a estrada emocional. Essa não tem protocolo. Nela cabem a ansiedade da espera, o medo de não dar conta, a pressão da família perguntando “e aí, saiu?”, o luto de quem chegou até ali depois de tentativas frustradas de engravidar e a fantasia, quase sempre presente, de que o amor vai resolver tudo sozinho.
Quem percorre só a primeira chega com os papéis em ordem e o coração despreparado. E é aí que a adaptação dói mais do que precisava doer.
A avaliação não é uma prova
Tem uma confusão que eu gostaria de desfazer aqui, porque ela trava muita gente antes mesmo de começar.
A preparação e a avaliação psicossocial não são um teste para provar que você é bom o suficiente. Não existe gabarito de “família ideal”. O que existe é um processo que faz perguntas honestas:
- Você está pronto para receber uma criança que já tem história, e não uma folha em branco?
- Você consegue sustentar o vínculo mesmo quando ele for testado? E ele vai ser.
- O que você espera dessa criança? E o que acontece se ela não corresponder?
- Sua rede está junto nessa, ou você vai carregar isso sozinho?
Essas perguntas não estão ali para reprovar ninguém. Estão ali para proteger a criança de uma segunda perda. Nenhuma criança deveria precisar sobreviver a um segundo abandono.
A frase que reorganiza tudo
Existe um princípio que orienta a adoção no Brasil e que eu repito em toda palestra, porque ele muda a cabeça de quem está começando:
A adoção não busca uma criança para uma família. Ela busca uma família para uma criança.
Parece um detalhe de linguagem. Não é. É uma inversão de lugar. Quando a gente entende isso, o perfil que preenchemos no início ganha outro sentido, a espera ganha outro significado, e a adoção tardia, a adoção de grupos de irmãos e a adoção de crianças com deficiência deixam de ser plano B e voltam a ser o que sempre foram: encontro possível.
As perguntas que quase ninguém faz em voz alta
Ao longo dos anos, algumas dúvidas se repetem tanto que eu já escrevi sobre cada uma delas aqui no blog. Se você está no começo do caminho, elas provavelmente já passaram pela sua cabeça:
- É normal eu ter medo de não criar vínculo com meu filho adotivo?
- Quando meu filho adotivo chegar, como será?
- E se meu filho adotivo quiser saber quem é a mãe biológica?
Nenhuma delas te desqualifica. Todas elas te preparam.
O que eu não vou conseguir colocar aqui
Este texto é um começo, e eu vou ser honesta sobre o que ele não é: ele não dá conta do passo a passo inteiro. A parte jurídica precisa ser explicada com precisão, por quem vive dela todos os dias, e não em resumo de blog.
Por isso eu convidei a Romina Duque Porto, advogada e consultora especialista em adoção, mãe solo pela adoção tardia e interracial. Ela conhece esse processo pelo lado de dentro do direito e pelo lado de dentro de casa.
Na segunda-feira, 20 de julho, às 19h, ao vivo no meu Instagram, a gente vai abrir juntas:
- Os requisitos: quem pode adotar de verdade, e quantos mitos caem nessa hora
- O processo legal: etapa por etapa, sem juridiquês
- As histórias que transformam: inclusive a da própria Romina
- O caminho inteiro: com informação, segurança e amor em cada etapa
Leva suas dúvidas. A live é conversa, não é palestra. Se você tem uma pergunta que ainda não teve coragem de fazer em voz alta, ela cabe lá.
Segunda-feira, 20 de julho, às 19h
Como adotar uma criança no Brasil: passo a passo
Com Cinara Cordeiro (@cinaracordeirooficial) e a advogada Romina Duque Porto (@duqueporto.romina)
E se você já está no meio do processo, ou só começou a pensar nele, saiba que não precisa atravessar isso sozinho. Veja como funciona o acompanhamento para famílias adotivas ou fale comigo no WhatsApp.