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Meu filho adotivo sente muita raiva: o que ele está tentando me dizer?

A raiva assusta.

Assusta quando vem em palavras duras. Assusta quando aparece em gritos. Assusta quando a criança empurra, rejeita, desafia ou parece destruir justamente aquilo que a família tenta construir.

Muitos pais adotivos se sentem perdidos diante da raiva do filho. Pensam: “Será que ele não gosta de mim?”, “Será que estou fazendo tudo errado?”, “Será que essa raiva nunca vai passar?”

Mas antes de responder à raiva apenas com punição, é preciso tentar compreender o que ela comunica.

A raiva pode proteger uma dor antiga

Crianças que viveram rupturas podem aprender que sentir é perigoso.

Confiar é perigoso.

Depender é perigoso.

Amar é perigoso.

Então, em vez de mostrar medo, mostram raiva. Em vez de dizer “estou inseguro”, atacam. Em vez de dizer “não sei se posso confiar”, testam.

A raiva, muitas vezes, funciona como armadura.

Ela afasta antes de ser abandonada. Ela machuca antes de ser machucada. Ela tenta controlar o ambiente porque, em algum momento, a criança sentiu que não tinha controle sobre nada.

Acolher não é permitir tudo

Compreender a raiva não significa aceitar agressões.

A criança precisa saber que seus sentimentos têm lugar, mas seus atos têm limite.

É possível dizer:

“Eu entendo que você está com muita raiva, mas não posso deixar você machucar alguém.”

Ou:

“Você pode me dizer o que sente. Eu vou te escutar. Mas não vamos resolver isso com agressão.”

Esse tipo de resposta ajuda a criança a perceber que o adulto não foge da emoção dela, mas também não permite que a dor destrua tudo ao redor.

Depois da crise, vem a construção

Durante uma explosão emocional, talvez a criança não consiga ouvir grandes explicações.

O momento da conversa profunda costuma vir depois, quando o corpo acalma.

É nesse depois que a família pode ajudar a criança a nomear o que aconteceu:

“Você ficou com medo?”

“Você achou que eu não ia voltar?”

“Você ficou bravo porque mudou a rotina?”

“Você pensou que seria deixado de lado?”

A nomeação ajuda a transformar comportamento em linguagem.

Pais também precisam de suporte

Conviver com raiva constante é desgastante. Muitos pais se sentem culpados por perderem a paciência. Outros passam a ter medo da criança. Outros tentam evitar qualquer frustração para não provocar conflito.

Nenhum caminho sozinho sustenta a família por muito tempo.

A orientação profissional pode ajudar os pais a entenderem a dinâmica emocional, criarem limites seguros e cuidarem também da própria exaustão.

Chamada para ação

Se a raiva tem ocupado muito espaço dentro da sua casa, talvez ela esteja tentando contar uma história. A Cinara Cordeiro pode ajudar sua família a escutar essa dor sem perder o limite, o vínculo e a esperança.

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